terça-feira, 21 de junho de 2011

A perda

No último dia 15.06.2011 tive alguns fortes contrações, momentos em que a barriga ficava dura, dava uma forte dor e passava.

Entrei em contato com minha médica, que solicitou minha ida a um hospital. Assim procedi, fui examinada e o meu bebê estava com os batimentos cardíacos normais, minha pressão estava normal, não estava em trabalho de parto e então fui liberada.

No dia 16.06.2011 as dores voltaram, eu estava comprando o quartinho do meu bebê quando liguei para minha médica que pediu que eu colocasse o ultragestan e fosse para o hospital. Retornei para minha casa tomei um banho, coloquei o ultragestan e deitei. Para ver se passava, quando de repente minha bolsa rompeu.

Fui o maior desespero da minha vida....

Comecei a gritar e em menos de 15 minutos estávamos no hospital, mas infelizmente eu já havia perdido muito líquido. Fui examinada e a médica do plantão imediatamente ligou para minha médica.

A todo momento eu implorava para salverem meu filho.... Senti muita dor física, mas a dor maior era no coração, pois sabia que estava perdendo meu bebê.

Fiz um primeiro US onde foi detectado que o bebê ainda estava vivo, mas sem líquido algo.

Quando minha médica chegou eu já estava no Centro Obstétrico sentindo muita dor. Questionei sobre o bebê, já sabendo a resposta, mas tinha esperança... Ela disse que na idade gestacional que eu me encontrava era extremamente difícil que o bebê sobrevivesse.

Naquele momento, parei de chorar e passei a pensar no meu Marido e na minha família, já que não havia jeito de salvar nosso filho que então Deus não fizesse meu Marido precisar passar pela dor de ter que registrar e enterrar nosso bebê.

Nisso eu fui atendida. Nosso bebê nasceu espontaneamente às 03h00 do dia 17.06.11 com apenas 385 g e então não seria necessário cumprir com qualquer protocolo.

Passei por toda a dor do parto. Senti meu filho saindo do meu ventre, mas não ouvi aquele chorinho que toda mãe espera.

É inexplicável a dor.... Nada consola....

Após o aborto passei por uma curetagem às 04h00 e depois por outra às 20h00, ambas do dia 17.06.2011.

Tive alta no dia 18.06.2011 às 17h00, momento em que bateu o desespero maior... retornar para minha casa sem minha barriguinha e principalmente sem meu bebê.

Hoje, dia 21.06.2011, estou apenas buscando uma explicação, já pesquisei na internet, mas nada se enquadra no meu perfil clínico.

Quero ficar sozinha, ou melhor, a única voz que quero ouvir no momento é de meu Marido, que está sentindo a mesma dor que eu.

Sei que meus familiares e amigos também estão sofrendo, mas a dor é nossa.

A solidão me confere o direito de não precisar explicar o inexplicável. Não responder como estou, pois para mim é óbvio, entre outras observações.

Não sei quando vou liberar este post, hoje escrevo apenas para desabafar.

No próximo dia 27.06.2011 retorno à médica, espero que haja uma explicação clínica para o ocorrido, afinal quero engravidar novamente.

Um forte abraço e até breve.

2 comentários:

Cris Bomfim disse...

Amiga: Eu te amo!
Estou aqui, rezando, desejando e torcendo, sempre!
Um Abraço bem demorado e apertado.

Cleonice Luiza Moreira de Sá disse...

Ufa! Hoje que li o seu post...não deve ser fácil, porém Deus sabe de tudo...que o seu garotinho que chegou agota possa mais e mais te encher de alegria, vc e sua casa.
a PAZ que excede todo entendimento pra sua vida!